domingo, 29 de maio de 2011

A lady e o rito da resistência

Estou no mundo oculto
iniciando meu primeiro estágio alquímico
Estrategicamente posicionada abaixo da raiz de uma macieira florida.

Ninguém tem permissão para permanecer inocente.
A vida sem dentes, sem garras, sem faro, sem conhecimento sobre as questões da alma, dormindo, amando, trabalhando, foi uma armadilha.

Mas a bondade, a curiosidade e a mania de provocar incêndios
foi maior.
A filha de Eva se lançou ao rio debaixo do rio
Põe-se a descascar as camadas da própria percepção
para enxergar o que não poderia ser visto à primeira vista.

Quanta matéria prima! Tudo o que aprendi, que ouvi, que desejei, que senti.
Decomponho tudo para fazer melhor uso.
O impulso criativo colocou em funcionamento o velho moinho
O barulho do mundo não existe mais
apenas o triturar dos grãos de conhecimento do mundo real e do mundo oculto.

Na metamorfose, a luz.
Uma vida de amor, de criatividade, de consciência.

Algumas estações se passaram até que se amadurecesse o conhecimento sobre os hábitos de minh'alma. Maduro, posso me nutrir com ele.
Algumas estações se passaram até que as raízes encontrassem chão. Pai-xão.

Minha macieira florida!
Curandero densamente sensual e amadurecido das idéias.
Despertaste meu inconsciente profundo para o que deveria ser o produto do meu trabalho. Elaborei .

De olhos abertos
e empreendendo a tarefa de fornecer luz e calor a mim mesma,
um fogo vigoroso com instintos astutos ganha vida.

Compreendo meu valor.
E meu ideal objetivo e coletivo de florir sempre.

sábado, 28 de maio de 2011

Jardim nas cicatrizes

Houve o tempo
de me sentir debilitada
sem consolo
sem cura
Algumas historias me raptaram de mim.

É inacreditável!
Fui capaz de nadar rio abaixo
e cá estou até agora.
Objetivamente conhecendo o entre mundos e os seres de névoa.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Retornar

Hora de voltar à superfície
transformada
não sem antes encontrá-lo
o profundo.
que me chocou com a visão de mim
deu-me nadadeiras nos pés
enfeitou-me os cabelos com ramos de
trigo verde
retirou-me as escamas
e pendurou-me nos braços uma bolsinha tipo "canguru"
última moda aqui no rio debaixo do rio.

Combinamos de nos encontrar lá em cima
no reino das águas claras.
na estação do sólo fértil.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O encontro

Estou na morada de minh'alma
é morno
sou aquática
habito uma oca
no rio abaixo do rio.
 
Meus pés se apoiam numa grama verde-água recém -nascida
meu lar é crepuscular
com flores miúdas multicoloridas
e gotas cristalizadas suspensas no ar.
 
"Aquela que sabe" surge caminhando em minha direção
Imensa no ser
Que queres? se tudo que viveste até aqui foi escolha tua
para viveres com plenitude a outra parte.
 
Cansada? guerreira!
Em vez de se encher de vazio, toma aqui ... amor.
Se é o que precisas para retornar.

domingo, 1 de maio de 2011

Ninho

Ando acomodando sombras.
Pretendo muito em breve mergulhar no mais profundo do amor e do sentimento
por minha natureza instintiva.

Quando retornar,
meu estado de espírito será pura expressão de minha alma.

Daí então, a voz da minha alma irá sussurrar 
a verdade do meu poder
e da minha necessidade
.

sábado, 30 de abril de 2011

Oferenda

Ao propor teu tesouro por um segundo de minha luz
Estás trocando seis por meia duzia
porque na minha procura pela porta
Foste minha passagem secreta
E protegeste a vida de minha alma.
Se saí do limiar do fim do mundo
se criei meu próprio ritual de absolvição
se já não me sinto um feijão preto num balde de ervilhas
É porque respondi à necessidade de coerência
com uma dança criativa e atemorizante ao redor de um saco de sementes.
Fizeste para sempre
em mim
muito mais do que sobreviver
Me deste fidelidade. Serei sempre encontrada dentro dos meus olhos.
Lá estarei em árvores, em águas, em palavras, em cor, em barro, em dança.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Viagem

Estou no meio do rio
poderia nadar a mesma distância em qualquer direção.
Uma flor vermelha irrompe na superfície da água imitando uma vitória régia
renova meu fôlego e minhas verdades.

A travessia chega ao seu ponto crítico.
Em vez de ir adiante é preciso ir abaixo, dentro.
A força da correnteza faz ventania na minha consciência
e o sol forte deixa diáfana a água.

A força da correnteza abre a porta   do entre mundos
Entro
Enfim
o que estava oculto pode ser compreendido emocionalmente.
Ah! Mar.. deste paisagem demais ao teu predador natural.

Naveguei bem na travessia da realidade para o entre mundos.
Aqui
no rio abaixo do rio
a correnteza tem seu próprio ritmo
Estamos sós.