domingo, 27 de março de 2011

ELE

Esse teu olhar de " nem ser"
persegue-me noite e dia
Marice: não há nada de novo sob o sol.
Ainda assim, cada vez que um amanhecer explode em minha alma
Marice: há tanto por achar


eu estouro um cativeiro.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Um rio debaixo d'água

um rio debaixo d’água?

Dadi! Ai que saudade d'ocê!

Pra falar de DADI é preciso antes ajoelhar-me em algodão e abraçar as lembranças da meninice: Dadi, Ery, Rosa, Loi, Gilbert, Neguinha, Key, Edu, Nadja. Amigos que afastavam a caretice com as armas do amor.
Dadi é irmão de aconchego. Parte grande de mim, parte sempre-viva de nós. Poesia de causas (sobretudo eco-lógicas), de causos e idéias.
Filho da tradição, irmão da cultura popular e de mulheres lindas, tio de mulheres igualmente lindas - talvez por conviver com tantas mulheres Dadi tenha aprendido a sorver a alma feminina feito uma bala doce - daí o resultado: pai de uma Flor. Felizes os irmãos e os sobrinhos que herdaram uma fatia dessa personalidade.
E o som mora nele. No corpo e na alma dele. Todas as vozes encontram abrigo em alguém que se nega a ver o mundo estreito demais. Dadi é Zen!
Vai tocar aonde Dadi? no Juá, na praia, na ponte, na roça, no bar de Gatão, no Boitempo, na porta da casa de alguém?! Não importa. Quer companhia? ESTAMOS AQUI!
(Marice em 22 de janeiro de 2006).

AURORA BOREAL

O que é a fé?

A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera,
é um meio de conhecer realidades que não se vêem.
(Hebreus, 11).

Forte coisa!

Aqui fora nada é mais forte que tua alma!

Travessura

Meus olhos acompanham meu riso...
Mas eu não vejo com os olhos.

Na floresta

"Na floresta só existe lembrança dos amorosos 
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram, seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos 
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar 
Dá-me a flauta e canta! 
E esquece a injustiça do opressor 
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue."

(Trecho do poema árabe " Na Floresta", de Gibran Khalil Gibran)

Partida do Vô

Lembra-te de mim
como amigo
como pai, avô, bisavô.

Lembra-te de mim
ladeado por duas bandeiras hasteadas
a honradez e a simplicidade

Lembra-te de mim
como cidadão

Lembra-te de mim
como médico " de homens e de almas"

Lembra-te de mim
como um contador de histórias

Lembra-te de mim
nos frutos do amor ao trabalho

Lembra-te de mim
no cuidado dos seus

Lembra-te de mim
em atitudes de solidariedade.

Assim serei eterno.
(Dom Joaquim-MG, 30 de janeiro de 2011)

Sintonia

Como sabes que meu sono é indolente?
que me despeço do corpo antes de dormir
com o coração de um vagalume?

Que pode ser que eu acorde na madrugada
implorando uma âncora imaginária pra unir ímpeto e cais?

Depois volto a dormir atravessada
por um certo medo criança
que teima em colocar-me em penitente vigília.

Duro

O poema serve a teu diálogo
com o cosmos
Que de propósito, sacia de amor
minha alma com teu poema
Restituindo na fonte
Aquilo que vai nos bolsos da tua
Para não esvair em ti
o sabor da vida.
Em lugar de espremer na
sensaboria do dia a dia
Experimenta morder
impiedosamente
A vida como se fosse uma bela fruta.

Pra mim

Há frutos nesta árvore que levam o meu nome?
Então não os perceba caídos noutro solo que não seja meu planeta.

Resgate

Ai Mulher!
Vou bombardeá-la até
que me devolvas
a menina que brincava
moldando bonequinhos de argila.