quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Caraivana do vento

Acordava
com o rumor do vento e das ondas
Levantava-me de meus sonhos fabulosos
porque lá fora me esperava o alvorecer.

Os babadinhos da camisola cor de violeta
tremiam assombrados
enquanto os olhos intumescidos
percorriam o mar
numa caravana do tempo.

O que esse mar quer de mim? Minha solidão voluntária mantem dele distância segura.
Não há uma mão para segurar-me.

Minha viagem foi então uma carta enigmática.

Tanto vento dia e noite
me soprando a voz do mar: o velho tempo terminou.

Senti-me divina na incerteza do destino.

Agora entendo porque adoro cata-ventos.
Eles indicam qual tempo domina
e mostram a direção da energia para o trabalho.

E o rio? Lembro-me do meu "reverso"
- o que antes era superficie chegou ao profundo
E uma nova forma de vida chega à superfície.

O que sou? o rio.
que compreende que so para amar
é que se vive.
Doa-se.
Faz uma enchente de lágrimas
para oferecê-las ao mar. Senhor!

Um comentário: