Senhora!
Contemplei meus vazios.
O que tenho hoje são silêncios habitados.
Percorra-me à distância.. Imagine um rio revertido... até que o que antes era superfície chegue ao profundo e novas formas de vida cheguem à superfície. De "Mulheres que correm com os lobos", e outras mais...
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
PAI-CHÃO
O chão de areia embaixo d'água muda de profundidade
conforme a força e o ritmo da água
que desliza por sobre ele.
A criança que moldava bonequinhos de argila
em minha meninice
Minha meninice... perdi o pai.
Perdi a menina. Perdia menina.
A menina se perdeu.
Fui então buscá-la lá
no fundo do leito do rio onde a água ainda corre.
Ela nunca esteve só: com-pai-xão.
conforme a força e o ritmo da água
que desliza por sobre ele.
A criança que moldava bonequinhos de argila
em minha meninice
Minha meninice... perdi o pai.
Perdi a menina. Perdia menina.
A menina se perdeu.
Fui então buscá-la lá
no fundo do leito do rio onde a água ainda corre.
Ela nunca esteve só: com-pai-xão.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
TORPOR
Na vida, o destino do guerreiro
o coloca sujeito a ser despedaçado
pelo oponente.
Vive aquele que,
durante o combate
sustenta os olhos cravados na disputa.
Vive aquele que,
exibindo gestos descontrolados de
paixão e determinação,
sacode e faz tremer o tambor
do peito.
o coloca sujeito a ser despedaçado
pelo oponente.
Vive aquele que,
durante o combate
sustenta os olhos cravados na disputa.
Vive aquele que,
exibindo gestos descontrolados de
paixão e determinação,
sacode e faz tremer o tambor
do peito.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Na ilha, filha. Na canoa, amor.
Precisei, busquei, sofri, encontrei.
O rio e minha canoa. Os acontecimentos, e Deus.
Chegar... a gente sempre chega.
Desembarquei em minha ilha desconhecida.
E chegar gostando é o grande presente do destino.
O sopro morno do vento faz balancê
Na minha canoa-jardim.
Colo de Ceres, morada de Perséfone.
Ao longe e ao longo de toda margem, meus olhos avistam terras cultivadas.
Meus sentidos já principiam colheita.
sábado, 20 de agosto de 2011
Habitando o entre mundos
No reino das emoções,
morada do ego e do desejo,
uma tropa de cavalos ameaça
Disparada.
No reino dos sentimentos,
morada do coração e da vontade,
uma legião de guerreiros ilumina
Guarda.
A inspiração é insuflação divina, entusiasmo poético, iluminação.
A Intuição é percepção clara da verdade sem a intervenção do raciocínio, pressentimento.
Encontrei uma passagem secreta.
morada do ego e do desejo,
uma tropa de cavalos ameaça
Disparada.
No reino dos sentimentos,
morada do coração e da vontade,
uma legião de guerreiros ilumina
Guarda.
A inspiração é insuflação divina, entusiasmo poético, iluminação.
A Intuição é percepção clara da verdade sem a intervenção do raciocínio, pressentimento.
Encontrei uma passagem secreta.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Caraivana do vento
Acordava
com o rumor do vento e das ondas
Levantava-me de meus sonhos fabulosos
porque lá fora me esperava o alvorecer.
Os babadinhos da camisola cor de violeta
tremiam assombrados
enquanto os olhos intumescidos
percorriam o mar
numa caravana do tempo.
O que esse mar quer de mim? Minha solidão voluntária mantem dele distância segura.
Não há uma mão para segurar-me.
Minha viagem foi então uma carta enigmática.
Tanto vento dia e noite
me soprando a voz do mar: o velho tempo terminou.
Senti-me divina na incerteza do destino.
Agora entendo porque adoro cata-ventos.
Eles indicam qual tempo domina
e mostram a direção da energia para o trabalho.
E o rio? Lembro-me do meu "reverso"
- o que antes era superficie chegou ao profundo
E uma nova forma de vida chega à superfície.
O que sou? o rio.
que compreende que so para amar
é que se vive.
Doa-se.
Faz uma enchente de lágrimas
para oferecê-las ao mar. Senhor!
com o rumor do vento e das ondas
Levantava-me de meus sonhos fabulosos
porque lá fora me esperava o alvorecer.
Os babadinhos da camisola cor de violeta
tremiam assombrados
enquanto os olhos intumescidos
percorriam o mar
numa caravana do tempo.
O que esse mar quer de mim? Minha solidão voluntária mantem dele distância segura.
Não há uma mão para segurar-me.
Minha viagem foi então uma carta enigmática.
Tanto vento dia e noite
me soprando a voz do mar: o velho tempo terminou.
Senti-me divina na incerteza do destino.
Agora entendo porque adoro cata-ventos.
Eles indicam qual tempo domina
e mostram a direção da energia para o trabalho.
E o rio? Lembro-me do meu "reverso"
- o que antes era superficie chegou ao profundo
E uma nova forma de vida chega à superfície.
O que sou? o rio.
que compreende que so para amar
é que se vive.
Doa-se.
Faz uma enchente de lágrimas
para oferecê-las ao mar. Senhor!
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Ser - Tão!
Atravessei o confronto entre o ego e o inconsciente.
Não o falso ego, aquele superior, mas o ego verdadeiro: o ser humano.
O self, minha manifestação individual do inconsciente coletivo, conquista a si mesmo.
Quantos contratos rompi para celebrar outros maiores, mais humanos!
Que me foram comunicados numa viagem astral e que estão ligados às minhas realizações espirituais.
Neste vestibular da vida madura vejo muita substância e honra, individualidade e completude.
O sentido de limites dissolve-se
entre o amor e a luxúria
entre a submissão e a rendição.
O auto sacrificio surge como preço a pagar pela conciência de si mesmo e do conhecimento oculto.
Fico contente assim.: descobrindo em minha humanidade minha porção divina.
Não o falso ego, aquele superior, mas o ego verdadeiro: o ser humano.
O self, minha manifestação individual do inconsciente coletivo, conquista a si mesmo.
Quantos contratos rompi para celebrar outros maiores, mais humanos!
Que me foram comunicados numa viagem astral e que estão ligados às minhas realizações espirituais.
Neste vestibular da vida madura vejo muita substância e honra, individualidade e completude.
O sentido de limites dissolve-se
entre o amor e a luxúria
entre a submissão e a rendição.
O auto sacrificio surge como preço a pagar pela conciência de si mesmo e do conhecimento oculto.
Fico contente assim.: descobrindo em minha humanidade minha porção divina.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Trio
Entre a explosão
e o equilíbrio,
a serenidade e a
dor,
resta saber se há um discurso que
nos faça seguir sempre!
(Marice, Tiago Leal e Liliane Rosa).
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Comentário
Sentimentos da doçura do rio e suas areias. Vc parece sereia conhecedora de amores e da falta dele. Vc é uma guerreira e sabe falar do profundo. Parabéns e VIVA! Bj.
(Paulinho Pedra Azul).
(Paulinho Pedra Azul).
Travessias sem travessuras
Surpreendi-me
com minha verdade
Quantos mantos de sonhos mentirosos
bordei.
Que demora
perceber que sonhos são nuvens
passam como a vida. Toda ela uma ilusão.
O que fica?
Raios de sol, sopros de ventos
e essa insistente luz celestial
como derradeiro ... sonho.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
JARDIM DE AROMAS PARA CEGOS
Toda a beleza sente-se no ventre,
mesmo a que a janela traz aos olhos
ou os instrumentos de som deixam no ouvido.
Tudo o que a mão palpa, com doçura ou ardor,
tudo o que nos comove ou nos exalta
ata-nos no ventre um nó dentro do corpo.
E nunca depois do Cântico houve o puro amor
que se crave nas entranhas da carne.
Também assim, quando Platão nos disse
que o Bom tão-somente é Belo,
logo soubemos que todo o amor,
como a beleza, era na carne, no ponto axial.
Cheira a alfazema, gardénias, lírios,
neste jardim em que por momentos estaremos,
e os aromas embebem-se no corpo
como se fôssemos cegos amantes que o ventre
impelisse uns para os outros.
Fiama Hasse Pais Brandão
Cenas vivas, Lisboa, Relógio d’Água, 2000 (1ª. ed.), pp. 35-36.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Quando o coração é um sinalizador luminoso
"Segue palpitando
ainda que a noite seja longa
vai, continua pulsando
Sim, desse jeito só teu,
que tua boca exale
cálida a cor vermelha
porque somente assim,
terei meu barco na tua direção
e no meio do breu da noite
saberei, de olho fechado
ancorar meu ímpeto em teu cais.
Amo quando gritas
porque sei que estás criando
e do teu grito
nascerá um duplo coração
palpitando...palpitando."
ainda que a noite seja longa
vai, continua pulsando
Sim, desse jeito só teu,
que tua boca exale
cálida a cor vermelha
porque somente assim,
terei meu barco na tua direção
e no meio do breu da noite
saberei, de olho fechado
ancorar meu ímpeto em teu cais.
Amo quando gritas
porque sei que estás criando
e do teu grito
nascerá um duplo coração
palpitando...palpitando."
domingo, 5 de junho de 2011
Um anjo tímido em sua terra natal
Muito além dos limites do ego
algo esteve guardado pra mim no rio debaixo do rio.
Esta descida psicológica levou-me a minha terra natal.
Viverei, daqui pra frente
perdoando, esquecendo, criando.
algo esteve guardado pra mim no rio debaixo do rio.
Esta descida psicológica levou-me a minha terra natal.
Viverei, daqui pra frente
perdoando, esquecendo, criando.
sábado, 4 de junho de 2011
O parto
O inconsciente envelhecido está diante daquilo que anseei e que jamais poderá ser concretizado.
É o diabo na água, no meio do redemoinho, atraído pelo meu jeito de navegar.
Passei por ele em missões terríveis, quase me afoguei.
Que nada!
O diabo trocou a mensagem de amor e de alegria entre alma e espírito, cortando meu coração.
Distorci percepções em vez de desenvolver precisão automática e ação.
Hora de por a prova uma nova postura adquirida
Meu animus reduz nossa proximidade para que eu me prepare,
sem apoio, para o período de prova..
Sem alimento, sem pão, preciso nutrir-me somente da memória de tudo aquilo que representaste.
Sua contribuição poética para minha análise será mantida.. por amor.
Ja na reta de despontar na superfície do rio
em pleno teste da minha certeza interior
não vou ceder .
Dou a luz a uma nova visão da vida.
Oh! metade masculina de mim! Proteja os insensatos.
Amarre-me a mim mesma e
intensifique-me pra que eu possa me nutrir do meu próprio seio.
Agora
Envolva-me em véus
pra que todos se afastem, pra que ninguém me toque.
Preserve-me no amor e no mistério.
Não deixe que eu despeje o melhor de mim mesma em ninguém, nem em nada.
Preciso estar nutrida já que devo me despedir de tua valiosa compreensão.
Nasci de novo. Mas ainda não me tornei.
Eu mesma estou a caminho..
Originalidade, unidade, identidade, integridade estão crescendo para depois nascer.
Felizes para sempre tem medida certa para cada um.
Grávida
Retorno às minhas idéias mais profundas
que sempre estiveram à minha espera no meu jardim perpétuo.
Meu reino é um campo verdejante
Tremeluzindo identidades, integridades.
Meu canto, meu conto, meu pão.
domingo, 29 de maio de 2011
A lady e o rito da resistência
Estou no mundo oculto
iniciando meu primeiro estágio alquímico
Estrategicamente posicionada abaixo da raiz de uma macieira florida.
Ninguém tem permissão para permanecer inocente.
A vida sem dentes, sem garras, sem faro, sem conhecimento sobre as questões da alma, dormindo, amando, trabalhando, foi uma armadilha.
Mas a bondade, a curiosidade e a mania de provocar incêndios
foi maior.
A filha de Eva se lançou ao rio debaixo do rio
Põe-se a descascar as camadas da própria percepção
para enxergar o que não poderia ser visto à primeira vista.
Quanta matéria prima! Tudo o que aprendi, que ouvi, que desejei, que senti.
Decomponho tudo para fazer melhor uso.
O impulso criativo colocou em funcionamento o velho moinho
O barulho do mundo não existe mais
apenas o triturar dos grãos de conhecimento do mundo real e do mundo oculto.
Na metamorfose, a luz.
Uma vida de amor, de criatividade, de consciência.
Algumas estações se passaram até que se amadurecesse o conhecimento sobre os hábitos de minh'alma. Maduro, posso me nutrir com ele.
Algumas estações se passaram até que as raízes encontrassem chão. Pai-xão.
Minha macieira florida!
Curandero densamente sensual e amadurecido das idéias.
Despertaste meu inconsciente profundo para o que deveria ser o produto do meu trabalho. Elaborei .
De olhos abertos
e empreendendo a tarefa de fornecer luz e calor a mim mesma,
um fogo vigoroso com instintos astutos ganha vida.
Compreendo meu valor.
E meu ideal objetivo e coletivo de florir sempre.
sábado, 28 de maio de 2011
Jardim nas cicatrizes
Houve o tempo
de me sentir debilitada
sem consolo
sem cura
Algumas historias me raptaram de mim.
É inacreditável!
Fui capaz de nadar rio abaixo
e cá estou até agora.
Objetivamente conhecendo o entre mundos e os seres de névoa.
de me sentir debilitada
sem consolo
sem cura
Algumas historias me raptaram de mim.
É inacreditável!
Fui capaz de nadar rio abaixo
e cá estou até agora.
Objetivamente conhecendo o entre mundos e os seres de névoa.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Retornar
Hora de voltar à superfície
transformada
não sem antes encontrá-lo
o profundo.
que me chocou com a visão de mim
deu-me nadadeiras nos pés
enfeitou-me os cabelos com ramos de
trigo verde
retirou-me as escamas
e pendurou-me nos braços uma bolsinha tipo "canguru"
última moda aqui no rio debaixo do rio.
Combinamos de nos encontrar lá em cima
no reino das águas claras.
na estação do sólo fértil.
transformada
não sem antes encontrá-lo
o profundo.
que me chocou com a visão de mim
deu-me nadadeiras nos pés
enfeitou-me os cabelos com ramos de
trigo verde
retirou-me as escamas
e pendurou-me nos braços uma bolsinha tipo "canguru"
última moda aqui no rio debaixo do rio.
Combinamos de nos encontrar lá em cima
no reino das águas claras.
na estação do sólo fértil.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
O encontro
Estou na morada de minh'alma
é morno
sou aquática
habito uma oca
no rio abaixo do rio.
Meus pés se apoiam numa grama verde-água recém -nascida
meu lar é crepuscular
com flores miúdas multicoloridas
e gotas cristalizadas suspensas no ar.
"Aquela que sabe" surge caminhando em minha direção
Imensa no ser
Que queres? se tudo que viveste até aqui foi escolha tua
para viveres com plenitude a outra parte.
Cansada? guerreira!
Em vez de se encher de vazio, toma aqui ... amor.
Se é o que precisas para retornar.
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